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Demissão deve ser evitada pelo empresário socialmente responsável
05/06/2009 - Quando cursava Harvard, o administrador Stephen Kanitz presenciou uma cena que nunca mais esqueceu: um colega de nome John teve algumas ideias sobre redução de custos em empresas e citou o desligamento de um certo número de funcionários. Em tom exaltado, o professor disse: "John, fora! Sai da sala!". John começou a chorar e perguntou: "Como assim?"
Depois de alguns soluços e segundos de apreensão, o professor disse: "Agora pode voltar". E acrescentou: "Agora você sabe o que é ser demitido. Nunca mais fale em demitir 200 pessoas como havia dito. É possível cortar custos economizando papel, xerox, materiais... O ser humano deve ser o último a ser cortado".
Segundo Kanitz, o professor não fazia mais do que ensinar aos alunos de administração o que é ser um empresário socialmente responsável.
Em palestra do II Fórum de Riscos Bradesco AUTO/RE, Kanitz afirmou que os empresários podem ser os responsáveis pela superação da crise econômica que estamos vivendo.
Empresários não são de extrema direita
Segundo Kanitz, a imprensa retrata os empresários como sendo pessoas da extrema direita. Porém, "essa concepção está errada" e tem muito a ver com o discurso de ambientalistas e até de determinadas universidades, que tanto temem o fordismo.
Ele lembrou que muitos dos problemas nas empresas, que desembocaram nesta crise, começaram quando economistas da Escola de Chicago perceberam que os administradores não estavam maximizando o lucro. Kanitz citou que caíram nessa armadilha a Sadia, a Aracruz e a VCP, que perderam dinheiro por conta de investimentos financeiros.
O palestrante ainda se mostrou preocupado com a rapidez com que as empresas "abandonam os assuntos da moda". "Até pouco tempo, a Nike se preocupava com pessoas, com a responsabilidade social. Hoje seu foco é ecoambiental", exemplificou.
Meio ambiente
De acordo com a diretora-executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Clarissa Lins, as empresas não podem apenas ser socialmente responsáveis na teoria, no discurso. "É preciso pensar em responsabilidade social desde a seleção de fornecedores até a prática de Recursos Humanos. Todas as práticas devem estar alinhadas ao discurso".
Em um dos debates que aconteceram durante o fórum, discutiu-se a possibilidade de os ganhos dos executivos estarem atrelados à ética, e não apenas às metas.
Clarissa finalizou lembrando que a alta carga tributária não é desculpa para não investir em sustentabilidade.
Fonte: InfoMoney / Karin Sato - 04/06/2009