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Exportações aumentam, mas previsão de safra é negativa
15/05/2009 - Setor de peso na composição do Produto Interno Bruto brasileiro, o agronegócio está enfrentando a crise mundial oscilando entre perdas e ganhos. Entre os fatores positivos, a balança de exportações registrou alta de 24,4% (em reais) em abril, ante igual mês do ano passado. Na ponta negativa, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê redução de 0,3% na safra para 2009.
A desvalorização do real frente ao dólar foi responsável pelo bom resultado nas exportações, com acumulado de R$ 12,090 bilhões de vendas, ante R$ 9,715 bilhões em 2008; e crescimento menor, de 13,1%, nas importações, que passaram de de R$ 1,324 bilhão para R$ 1,497 bilhão. Com isso, o superávit ficou em R$ 10,593 bilhões. Já as reduções na estimativa da safra devem-se principalmente ao clima desfavorável e as estiagens na região sul do País.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, disse que mesmo com a redução da estimativa, o Brasil segue com a segunda melhor safra da história, se descontado os efeitos da seca.
No entanto, para o especialista do Centro de Estudos Agrícolas, da Fundação Getúlio Vargas, Mauro de Rezende Lopes, o resultado poderia ter sido muito melhor. "Poderia ter sido mais positivo, porque perdemos entre 9,5 e 11 milhões de toneladas de produtos agrícolas em relação à safra anterior, de acordo com dados do IBGE e da Companhia Nacional de Abastecimento", diz
Rezende confirma que a crise mundial somada aos efeitos da seca são os principais motivos. "A queda decorreu da falta de crédito. Grandes empresas multinacionais exportadoras de grãos reduziram muito as atividades de financiamento do produtor e tivemos alguns problemas de clima localizados. Mas o fator mais importante foi a perda na produção do algodão, do milho e da soja", acrescentou.
Culturas
Apesar da balança positiva, nem todos os produtos se beneficiaram. Nas culturas que registraram queda, o setor encolheu 11,3%; couros e produtos derivados caíram 49,4%; produtos florestais e café recuaram 10,9% e 12,2%, respectivamente. Em carnes, o montante passou de US$ 1,093 bilhão, para US$ 970 milhões. Já as vendas de carne de frango subiram 4,2%, com aumento da quantidade exportada para 28,2%, o que aliviou a queda de preços de 18,7%. As vendas externas de carne suína reduziram 22,8%, por causa da queda do preço em dólares.
A maior alta foi no complexo sucroalcooleiro (21,1%), de US$ 411 milhões para US$ 498 milhões - montante concentrado, basicamente, nas vendas do açúcar, que subiram 47,9% em abril, comparado ao mesmo mês de 2008; no total de US$ 405 milhões. As exportações de álcool, por outro lado, reduziram 32,2%, para US$ 93 milhões.
No complexo de soja (grão, farelo e óleo), as exportações em grãos aumentaram de US$ 1,398 bilhão para US$ 1,542 bilhão, e mesmo com redução de 17,8% nos preços, o percentual exportado subiu para 34,3%. Outro aumento registrado foi na parte de animais vivos, +14,6% e produtos apícolas, + 113,7%.
No estudo do IBGE, foi levado em conta o resultado da safra de verão com culturas - arroz, soja e milho - que já tiveram a colheita prejudicada. Se confirmada a má projeção, a safra deve ficar 6,8% menor do que a colhida em 2008. Esta alteração é baseada nas expectativas em relação às lavouras de inverno (trigo, aveia, e milho - na segunda safra). Para o Instituto, as condições climáticas é que vão influenciar as estimativas para a produção agrícola de 2009.
Para o especialista da FGV, diversos fatores pesam a favor e contra o agronegócio. O foco não deve ficar apenas no clima ou na oscilação da moeda brasileira em relação ao dólar. "Temos o domínio da tecnologia moderna e a competência dos produtores. Tudo isso é reforçado pela atuação de grandes grupos de investidores nacionais e na vinda de capital estrangeiro para a agropecuária. Negativamente, temos o problema da logística que não avançou e a questão da dívida agrícola", explicou.
Nos destinos dos produtos exportados, houve aumento de 24,2% nas vendas para a África; Ásia ficou com 20,9% e Oriente Médio, + 33,1%. A China manteve-se como líder na recepção do agronegócio brasileiro com US$ 1,137 bilhão, três vezes mais que os Estados Unidos, com US$ 378. Japão (46%), França (14,5%), Coreia do Sul (36,4%), Arábia Saudita (33,9%) e Irã (140,3%).
"No momento o que se pode fazer é tentar obter uma grande safra agrícola. Os alimentos tiveram uma recuperação de preços e consumo no mundo. São os únicos produtos beneficiados. O mais importante é deixar o dólar flutuar, mas se o real depreciar muito teremos problemas. Se tivermos uma safra curta teremos que importar com o dólar valorizado. Os preços internos vão subir - como no caso do trigo nessa safra", completou o pesquisador.(Fonte: Jornal do Commercio/RJ/Jaqueline Porto)
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Portos e Navios